martes 16 de agosto de 2011

Eu, meu irmão e o mundo.


Quando eu tinha quatro anos de idade decidi fugir de casa. Era a primeira vez que eu enfrentava o mundo, mesmo que este fosse apenas alguns quarteirões. Meu irmão com quatorze anos arrumou seu primeiro emprego e nunca deixou de lutar para manter sua independência. Por muitas vezes, seguimos caminhos diferentes, eu e meu irmão. Mas de tempos em tempos, tínhamos esta necessidade de caminhar, talvez não juntos, mas em paralelo. Mudamos de países, escolhemos profissões difíceis e optamos, em diversas ocasiões, em seguirmos solitários pelo mundo, refazendo nossas vidas do zero. Hoje, temos esta sensação de inquietação que nos mantem em constante movimento. A idade traz também a vontade de conquistar permanências: pessoas, coisas e lugares que carregamos dentro da gente e que nos fazem voltar para eles com uma fidelidade inexplicável. E essa inquietação junto com a saudade é a vida que precisamos e que não conseguimos estar completos sem.