domingo 11 de marzo de 2012

Meu lugar nos sonhos.


Ai, que vontade de escrever! Acordei no meio da noite. Que vontade de bolo de chocolate no forno! Que vontade de gritar de prazer! Vontade de dois minutos em silêncio comigo mesma. (pausa) Dois dias, talvez... Mas é tarde. É preciso dormir por agora. O telefone toca. O telefonema, a última esperança da solidão. Este também pode esperar. Esperar a vida toda se preciso. Mas meus pés continuam frios. Meu rosto continua quente e corado. Como se minha cabeça fosse explodir, mas sem nunca tirar os pés do chão. É um equilíbrio extremo, o meu modus operandi. Ele disse que eu não poderia tirar fotos. Os árabes gostavam de prender fotógrafos desavisados. E eu olhando para aquele homem, sozinha, cercada de areia por todos os lados, senti aquela atração secreta pela aventura, pelo perigo, por se perder por completo num lugar incomum. E elas abriram os braços como se eu fosse um brinquedo favorito para carregar debaixo do braço pela vida toda. 3 mini-pessoas pedindo colo, cócegas, caretas e criaturas imaginárias feitas da crença em tudo aquilo que não se pode ver ou tocar. O instinto e os sentidos trazem uma verdade sem explicação. Você poderia ter escolhido muitos caminhos, mas escolheu o seu. Os olhos de quem você ama podem não ser os mais bonitos, mas tem algo que só você vê. Que parte do corpo você gosta mais? Onde você se esconde quando perde a razão? Tudo que eu não entendo me atrai. Os caminhos alternativos abrem opções para o inesperado, para aquilo que te deixa sem palavras e que te faz parar para pensar. Ele disse "você tem que se posicionar", sabendo qual era a minha posição. As pessoas precisam ouvir e dizer o que elas já sabem. Algumas pessoas. Outras, preferem deixar o espaço das entre-linhas que permitem muitas interpretações. Nenhuma verdade é completa e definitiva. Não lembro qual foi meu pedido quando soprei a vela dos meus 30 anos. Acho que não pedi nada. Está tudo aqui, dentro de mim. As pessoas, os lugares, aqueles momentos absolutos, aquelas experiências que descrevemos com outra coisa que não palavras. O despertou tocou. Incessantemente. E esse, não pode esperar.

martes 16 de agosto de 2011

Eu, meu irmão e o mundo.


Quando eu tinha quatro anos de idade decidi fugir de casa. Era a primeira vez que eu enfrentava o mundo, mesmo que este fosse apenas alguns quarteirões. Meu irmão com quatorze anos arrumou seu primeiro emprego e nunca deixou de lutar para manter sua independência. Por muitas vezes, seguimos caminhos diferentes, eu e meu irmão. Mas de tempos em tempos, tínhamos esta necessidade de caminhar, talvez não juntos, mas em paralelo. Mudamos de países, escolhemos profissões difíceis e optamos, em diversas ocasiões, em seguirmos solitários pelo mundo, refazendo nossas vidas do zero. Hoje, temos esta sensação de inquietação que nos mantem em constante movimento. A idade traz também a vontade de conquistar permanências: pessoas, coisas e lugares que carregamos dentro da gente e que nos fazem voltar para eles com uma fidelidade inexplicável. E essa inquietação junto com a saudade é a vida que precisamos e que não conseguimos estar completos sem.

lunes 22 de noviembre de 2010

E esta idade heim?


Coisa estranha ter 29 anos. É um quase 30, não? Balsaquiana e tal... Mas não consigo disfarçar um sorriso no rosto... É uma idade linda e importante, é uma idade de destaque dentre todos os números que vem antes e depois. Talvez o problema dos 29 sejam os números que vem depois... mas isso não importa agora. Neste momento, por mais que tudo possa parecer um pouco incompleto, um pouco incerto, um pouco conflitante... bobagem! O mundo é bem grande e ainda dá tempo de pegar um fôlego e repensar umas coisas... É um momento de pausa. E roubando uma frase na cara dura, reafirmo "...e é nas pausas que a gente vive". E depois de uma pausa como essa, com vista privilegiada para o passado e para o futuro... (ai vem outra frase roubada) "a gente aprende que é gente e ninguém mais pode mudar isso." Gente com opinião e vontades que caminham sozinhas e sem medo. Mentira, o medo sempre existe e sempre existirá, não é? Mas é um medo destemido e latente que não consegue mais se esconder. Pois é, aquele sorrizinho da Gioconda... Aposto que eram os 29 que ela não conseguia conter em si! Para as minhas queridas mulheres de 29, deixo um sorrizo desses como um "pãtz" seguido de silêncio. Coisas que só a gente pode entender.

domingo 27 de junio de 2010


Sem nada para fazer, decidi olhar as nuvens.

Um sonzinho bom de fundo, a temperatura ideal, os pés descalços, os dedos na areia, uma alegria sem explicação. Simples, assim.


Sin nada que hacer, empece a mirar las nubes.

Un sonido tranquilo al fondo, la temperatura perfecta, los pies descalzos, los dedos en la arena, una felicidad sin razón. Simples, así.


Nothing to do, watching the clouds go by.

A nice background sound, perfect temperature, barefoot, sand between toes and fingers, happiness without reason. Simple like this.

domingo 7 de junio de 2009

Barcelona


Muchas veces me pregunto: Cómo llegué a Barcelona? Que caminos me llevarón allí? Cómo estará la gente que conocí ahora? Cómo sería volver? La veo, Barcelona, como un fantasma que camina comigo muy cerca pero sin poder tocarlo. Estaría bien quedarme 6 meses en Barcelona y 6 meses en São Paulo por toda mi vida. Sinto como si estubiera esperando por una signal. La misma que una vez me llevó a Barcelona y después me hizo volver a São Paulo. Pero la vida es demasiado corta para esperar por signales. No se puede parar nunca... Una vez una amiga me dijo que sentiría en el estómago la necesidad de quedar o volver y que un día mi estómago me haría eligir un sitio como casa para quedarme y ya no pensar más en moverme. Creo que mi casa es la gente y la gente está en muchos sitios distintos y ni yo ni mi estómago se olvida de ellas. Hay que moverse siempre, entonces. Y vivir en cada sitio como si fuera tu casa y estar con cada persona como si nada más fuera tan importante.

martes 21 de abril de 2009

São Paulo



Se ela fosse menos cinza, menos espalhada, menos suja, menos automatizada e com pessoas menos autistas, talvez fosse uma cidade melhor. Mas, ao mesmo tempo, uma cidade limpa demais, organizada demais, civilizada demais deixaria pouco espaço para surpresas e as surpresas sempre tão interessantes... Quando se nasce em uma cidade como São Paulo, o mundo parece um lugar pequeno onde as pessoas realmente se conhecem. Aqui, as vidas tomam rumos inesperados sem que nos demos conta. Todos temos uma infinidade de coisas passando por nossas cabeças ao mesmo tempo: medo, angustia, solidão, ansiedade e a sensação de que existe um mundo de possibilidades do lado de fora, mas é tão difícil escolher, que acabamos ficando dentro de nós mesmos, paulistanos. Com exceção, claro, daqueles muitos momentos em que por entre o caos nos encontramos e nos damos conta de ter vivido coisas que em nenhum outro lugar viveríamos. Quando deixamos um pouco de lado essa necessidade tão grande de escolher e tomar decisões e simplesmente abrimos espaço para a vida detrás de todo o concreto. Ao deixar o outro entrar, sem pedir licença, sem julgar e sem botar defeitos, colocando um pouco de lado essa infinidade de coisas que no fundo não são assim tão importantes e concentrando todo o nosso interesse naquele momento, naquelas pessoas e naquele lugar que só existe ali, no tempo e no espaço de nossas vidas, daquela maneira, fruto do movimento constante que gira nossa metrópole, em uma fração de segundos, enxergamos o sentido em tudo e essa sensação nos divide em mil pedaços que nunca mais voltarão ao seu lugar nos deixando para sempre como seres meio imperfeitos, meio incompletos, o que, de certa forma, é bom.

sábado 11 de abril de 2009