
Ai, que vontade de escrever! Acordei no meio da noite. Que vontade de bolo de chocolate no forno! Que vontade de gritar de prazer! Vontade de dois minutos em silêncio comigo mesma. (pausa) Dois dias, talvez... Mas é tarde. É preciso dormir por agora. O telefone toca. O telefonema, a última esperança da solidão. Este também pode esperar. Esperar a vida toda se preciso. Mas meus pés continuam frios. Meu rosto continua quente e corado. Como se minha cabeça fosse explodir, mas sem nunca tirar os pés do chão. É um equilíbrio extremo, o meu modus operandi. Ele disse que eu não poderia tirar fotos. Os árabes gostavam de prender fotógrafos desavisados. E eu olhando para aquele homem, sozinha, cercada de areia por todos os lados, senti aquela atração secreta pela aventura, pelo perigo, por se perder por completo num lugar incomum. E elas abriram os braços como se eu fosse um brinquedo favorito para carregar debaixo do braço pela vida toda. 3 mini-pessoas pedindo colo, cócegas, caretas e criaturas imaginárias feitas da crença em tudo aquilo que não se pode ver ou tocar. O instinto e os sentidos trazem uma verdade sem explicação. Você poderia ter escolhido muitos caminhos, mas escolheu o seu. Os olhos de quem você ama podem não ser os mais bonitos, mas tem algo que só você vê. Que parte do corpo você gosta mais? Onde você se esconde quando perde a razão? Tudo que eu não entendo me atrai. Os caminhos alternativos abrem opções para o inesperado, para aquilo que te deixa sem palavras e que te faz parar para pensar. Ele disse "você tem que se posicionar", sabendo qual era a minha posição. As pessoas precisam ouvir e dizer o que elas já sabem. Algumas pessoas. Outras, preferem deixar o espaço das entre-linhas que permitem muitas interpretações. Nenhuma verdade é completa e definitiva. Não lembro qual foi meu pedido quando soprei a vela dos meus 30 anos. Acho que não pedi nada. Está tudo aqui, dentro de mim. As pessoas, os lugares, aqueles momentos absolutos, aquelas experiências que descrevemos com outra coisa que não palavras. O despertou tocou. Incessantemente. E esse, não pode esperar.




