domingo 7 de junio de 2009

Barcelona


Muchas veces me pregunto: Cómo llegué a Barcelona? Que caminos me llevarón allí? Cómo estará la gente que conocí ahora? Cómo sería volver? La veo, Barcelona, como un fantasma que camina comigo muy cerca pero sin poder tocarlo. Estaría bien quedarme 6 meses en Barcelona y 6 meses en São Paulo por toda mi vida. Sinto como si estubiera esperando por una signal. La misma que una vez me llevó a Barcelona y después me hizo volver a São Paulo. Pero la vida es demasiado corta para esperar por signales. No se puede parar nunca... Una vez una amiga me dijo que sentiría en el estómago la necesidad de quedar o volver y que un día mi estómago me haría eligir un sitio como casa para quedarme y ya no pensar más en moverme. Creo que mi casa es la gente y la gente está en muchos sitios distintos y ni yo ni mi estómago se olvida de ellas. Hay que moverse siempre, entonces. Y vivir en cada sitio como si fuera tu casa y estar con cada persona como si nada más fuera tan importante.

martes 21 de abril de 2009

São Paulo



Se ela fosse menos cinza, menos espalhada, menos suja, menos automatizada e com pessoas menos autistas, talvez fosse uma cidade melhor. Mas, ao mesmo tempo, uma cidade limpa demais, organizada demais, civilizada demais deixaria pouco espaço para surpresas e as surpresas sempre tão interessantes... Quando se nasce em uma cidade como São Paulo, o mundo parece um lugar pequeno onde as pessoas realmente se conhecem. Aqui, as vidas tomam rumos inesperados sem que nos demos conta. Todos temos uma infinidade de coisas passando por nossas cabeças ao mesmo tempo: medo, angustia, solidão, ansiedade e a sensação de que existe um mundo de possibilidades do lado de fora, mas é tão difícil escolher, que acabamos ficando dentro de nós mesmos, paulistanos. Com exceção, claro, daqueles muitos momentos em que por entre o caos nos encontramos e nos damos conta de ter vivido coisas que em nenhum outro lugar viveríamos. Quando deixamos um pouco de lado essa necessidade tão grande de escolher e tomar decisões e simplesmente abrimos espaço para a vida detrás de todo o concreto. Ao deixar o outro entrar, sem pedir licença, sem julgar e sem botar defeitos, colocando um pouco de lado essa infinidade de coisas que no fundo não são assim tão importantes e concentrando todo o nosso interesse naquele momento, naquelas pessoas e naquele lugar que só existe ali, no tempo e no espaço de nossas vidas, daquela maneira, fruto do movimento constante que gira nossa metrópole, em uma fração de segundos, enxergamos o sentido em tudo e essa sensação nos divide em mil pedaços que nunca mais voltarão ao seu lugar nos deixando para sempre como seres meio imperfeitos, meio incompletos, o que, de certa forma, é bom.

sábado 11 de abril de 2009

Bahia

Um breve comentário sobre o nordeste...

Pela primeira vez, senti que a comodidade e o conforto me encomodavam...

Lembrei da sensação de conhecer o centro de São Paulo através do teatro de rua. Sem carro, sem destino certo, debaixo de sol forte e sem pressa. Nós, paulistanos, temos muita dificuldade em entender o significado do "sem pressa"... Em compensação, o nordestino... E não entendam isso como uma crítica!! Aos nordestinos, claro!

Eu, pela primeira vez como turista no nordeste, máquina fotográfica em punhos, estava preparada para desbravar o exótico! Mas, para a minha própria surpresa, não trouxe nenhuma foto de criança desnutrida, nem de casas de pau-a-pique ou de velhos-jovens com o rosto marcado pelo sol e pelas agruras da seca... Não que isso não estivesse nos meus planos... Assim como a idéia de voltar para casa com um berimbau, ou um boneco de barro ou, ao menos, uma rapadura de recordação... Deixei tudo lá... e, assim, minhas maiores lembranças guardei com os olhos, passando pelo filtro da imaginação.

Entre elas, levo a sensação de ver o Rio São Francisco pela primeira vez, a alegria de descobrir os poemas de Jorge de Lima, o estranhamento em associar as jangadas de Pernambuco a Orson Welles, a lembrança do transpirar constante pelas ruas de Caruaru, a tristeza com minhas diversas tentativas frustradas de ganhar a simpatia e a confiança dos gatos sarnentos que encontrava pelo caminho, a pouca preocupação com o tempo perdido em tonterias que jamais esquecerei e o prazer de admirar o jeito peculiar do baiano, parado em silêncio, olhando o mar.

Deixo vocês com algumas imagens do documentário "Verdades e Mentiras" de Orson Welles onde eu vi uma jangada pela primeira vez:

http://www.youtube.com/watch?v=xCLms_NqYEY



A short comment about the north east...

For the first time, I felt that comfort and practicality annoy me...

I remembered the felling of getting to know São Paulo downtown through a street drama group. Without a car, or destination, under hot sun and with no hurry. As São Paulo residents, we find very difficult to understand the meaning of "with no hurry"... Very differently from the northeast people... And don't take this as a bad comment... about the northeast people, of course!

For the first time, as a tourist visitor in the Northeast, with my camera ready to explore the unknown! But, to my own surprise, I didn't bring back any picture from a hungry child, or a humble house or from a young-old man with the face marked by the sun and the bad life conditions... Not that it wasn't in my plans... Likewise, the idea of going back home with a typical northeast instrument, or with a hand-made doll or, at least, a typical sweet called "rapadura" or "hard-sugar-brick"- as my father would translate... Anyway, I left everything behind and came back with just the memories kept by my eyes with the advantage of going through the filter created by my imagination.

Among them, I brought the sensation of going in São Francisco river waters for the first time, the joy of discovering Jorge de Lima poems, the weird feeling of association between "jangadas" (small boats) and Orson Welles, the memory of the constant sweat while walking on the streets of Caruaru, the sadness of trying without any success to earn the trust from the sick cats I found in my way, the lack of concern about time lost with silly things I'll never forget and, finally, the pleasure of admiring the unique way of people from Bahia, standing in silence, looking at the ocean.

I leave you with some footage from Orson Welles' "It's All True" and the first "jangada"'s images I saw in my life:

http://www.youtube.com/watch?v=xCLms_NqYEY

sábado 6 de diciembre de 2008

Ozuela



(português)

Como diz meu irmão “viajar é bom demais” e, inevitavelmente, os lugares e as pessoas que você conhece te marcam para sempre de um jeito irreversível.

Por um lado, é muito legal a experiência solitária de desbravar novos ambientes, mas, ao mesmo tempo, é maravilhoso poder compartilhar esses momentos com aqueles que você ama.

Quando eu era pequena, entrei em um programa de “pen friends” que me enviava endereços de pessoas de diversos países e eu me correspondia com elas.

Escrevia cartas e mais cartas, contando todas as novidades da minha vida para “amigos” que não conhecia e jamais conhecerei.

Quando cheguei em Ozuela, um povoado de 46 habitantes em Ponferrada, Leon, Espanha, em agosto de 2007, aquela realidade tão diferente da minha vida atual me fez ter vontade de escrever cartas de novo.

Agora, de volta ao Brasil e ao ritmo de São Paulo e sentindo muita falta de alguns lugares e pessoas, resolvi seguir o conselho da Bea (uma das meninas com quem morei em Barcelona e que cuidou muito bem de mim) de criar um blog.

Nem sempre, a proximidade física é o que te mantém ligada a uma pessoa. É muito difícil escolher um lugar só para viver. “As coisas estão no mundo” e eu queria poder compartilhar sempre esse mundo com as pessoas com quem já compartilhei momentos tão especiais e únicos.

Deixo uma foto de Ozuela para aguçar a imaginação antes de falar sobre ela.


(español)

Como dice mi hermano “viajar es de puta madre” e, inevitablemente, los sitios y la gente que conoces te marcan para toda la vida de una forma irreversible.

Por un lado, es increíble vivir sóla la experiencia de romper nuevos entornos, pero, al mismo tiempo, está bien compartir estos maravillosos momentos con la gente que te quiere.

Cuando niña, me enrollé en un programa de "amigos por correspondencia” que me enviaba la dirección de personas de diversos países e yo me correspondía con ellas.

Escribía cartas y más cartas, contando todas las novedades en mi vida para “amigos” que no conocía y jamás conoceré.

Cuando llegué en Ozuela, un pueblo de 46 habitantes en Ponferrada, León, España, en agosto de 2007, la realidad allá, tan distinta de mi actual vida, me hizo tener ganas de escribir cartas de nuevo.

Ahora, de vuelta a Brasil y al ritmo de la ciudad de São Paulo y echando de menos algunos sitios y personas, he decidido seguir el consejo de Bea (una de mis compis de piso en Barcelona que me ha cuidado mucho) para crear un blog.

Ni siempre, la proximidad física es lo que te mantiene conectado a una persona. Es muy difícil elegir un sitio para vivir. “Las cosas están en el mondo” y quiero poder siempre compartir este mondo con la gente con quien ya compartí momentos tan especiales y que no volverán a pasar de la misma forma.

Dejo una foto de Ozuela para provocaros vuestra imaginación antes de empezar a hablar de ella.


(English)

Quoting my brother “traveling is damn good” and, inevitably, the places and people that you meet along the way leave marks in you that will stick forever in an irreversible way.

On the other hand, it is very nice the lonely experience you take from discovering new environments, but at the same time, it is wonderful to be able to share these moments with those people you love.

When I was little, I joined a pen friends program which sent me addresses from people around the world and I would send them letters.

I would send letter after letter, telling all the stuff that was going on in my life to those “friends” I didn’t and would never meet face to face.

When I arrived in Ozuela, a village with 46 inhabitants in Ponferrada, Leon, Spain, in August 2007, that reality so different from my current life made me feel like writing letters again.

Now, back to Brazil and to São Paulo’s rush and missing some places and people a lot, I’ve decided to follow the advice Bea (one of my roommates in Barcelona who took really good care of me) gave me to create a blog.

Not always, the physical proximity is what keeps you connected to a person. It’s very hard to choose just one single place to live. “Things are in the world” and I wish I could always share these world with the people I’ve already shared special and unique moments.

I leave you a photo of Ozuela to feed your imagination before I start to talk about it.